30 de novembro de 2012

Meu amor meu amor

meu corpo em movimento

minha voz à procura

do seu próprio lamento.

Meu limão de amargura meu punhal a escrever

nós parámos o tempo não sabemos morrer

e nascemos nascemos

do nosso entristecer.

Meu amor meu amor

meu nó e sofrimento

minha mó de ternura

minha nau de tormento

este mar não tem cura este céu não tem ar

nós parámos o vento não sabemos nadar

e morremos morremos

devagar devagar.

Ary dos Santos

Vício De Ti


Problema de Expressao Clã


 



Marc Chagall, Paisagem azul



As palavras que te envio são interditas

As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas suas curvas claras.

Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
estas mãos nocturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.

E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.


Eugénio de Andrade
O amor é o amor

O amor é o amor - e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?..

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos - somos um? somos dois? -
espírito e calor!
O amor é o amor - e depois?!


Alexandre O´Neill





O desamor é o desamor

O desamor é o desamor - e depois?!
Não vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?..

O teu peito oposto ao meu peito,
não cortando o mar , não cortando o ar.
Num leito
não há todo o espaço para amar!

Na nossa carne não estamos
com destino, com medo, com pudor,
e não trocamos - não somos um? não somos dois? -
espírito e calor!
O desamor é o desamor - e depois?!


Lobisomem


Da grande página aberta do teu corpo
Da grande página aberta do teu corpo
sai um sol verde
um olhar nu no silêncio de metal
uma nódoa no teu peito de água clara

Pela janela vejo a pequenina mão
de um insecto escuro
percorrer a madeira do momento intacto
meus braços agitam-te como uma bandeira em brasa
ó favos de sol

Da grande página aberta
sai a água de um chão vermelho e doce
saem os lábios de laranja beijo a beijo
o grande sismo do silêncio
em que soberba cais vencida flor



António Ramos Rosa

 



Egon Schiele, Amizade


Quando estamos assim

Quando estamos assim
deitados e nus, sem
a minha cara saber
se é a tua cara à frente
dela, parece-me bem
que o mundo é uma coisa
às escuras, sem importância
nenhuma. Dou a volta,
rodopio como um artista
de circo, estou dentro
de uma rotina, quando
lavo os dentes e visto
o pijama de flanela às riscas
sinto-me um miúdo pequeno
que desconhece o que é
morrer. Chamaste-me
sentimental, sentimental
é a tua tia.




Helder Moura Pereira



Egon Schiele, Amantes



Assim o amor

Espantado meu olhar com teus cabelos
Espantado meu olhar com teus cavalos
E grandes praias fluidas avenidas
Tardes que oscilam demoradas
E um confuso rumor de obscuras vidas
E o tempo sentado no limiar dos campos
Com seu fuso sua faca e seus novelos
Em vão busquei eterna luz precisa



Sophia de Mello Breyner Andresen

 


Pablo Picasso, Mulher com braços cruzados

Poema em linha recta



Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.




Álvaro de Campos


Salvador Dali, A persistência da memória

Vestígios

noutros tempos

quando acreditávamos na existência da lua

foi-nos possível escrever poemas e

envenenávamo-nos boca a boca com o vidro moído

pelas salivas proibidas - noutros tempos

os dias corriam com a água e limpavam

os líquenes das imundas máscaras



hoje

nenhuma palavra pode ser escrita

nenhuma sílaba permanece na aridez das pedras

ou se expande pelo corpo estendido

no quarto do zinabre e do álcool - pernoita-se



onde se pode - num vocabulário reduzido e

obcessivo - até que o relâmpago fulmine a língua

e nada mais se consiga ouvir



apesar de tudo

continuamos e repetir os gestos e a beber

a serenidade da seiva - vamos pela febre

dos cedros acima - até que tocamos o místico

arbusto estelar

e

o mistério da luz fustiga-nos os olhos

numa euforia torrencial




Al-Berto
As Canções da Maria concertos em Portugal 2012


Durante o Natal 2012 vai haver concertos em Portugal para os mais novos, com As canções da Maria, que vai percorrer algumas cidades portuguesas de norte a sul, com muita animação para pais e filhos.

Neste espectáculo ao vivo irá ser apresentado as músicas extraídas com enorme sucesso do livro/CD, promete momentos de diversão para miúdos e graúdos, para ajudar a estudar como que a brincar, porque tudo é mais fácil a cantar!
 
“As Canções da Maria” foi criado e pensado na altura em que as filhas de Maria de Vasconcelos entraram para a escola de forma a ajudá-las a aprender a matéria dada; assim a Maria, a Manon, a Mathilde e Mathias são as personagens que dão vida a estas canções divertidas e repletas de harmonias e efeitos especiais criados pelo músico e produtor Gimba; as ilustrações são de Nuno Markl e a edição da Valentim de Carvalho.

Já atingiu o galardão de ouro e mantém-se no top de vendas da Associação Fonográfica Portuguesa desde março de 2011.

Os preços dos concertos variam entre os dez e os doze euros e estão à venda nos locais habituais.

Caldas da Rainha - CCC - 1 de Dezembro | 11:00 e 16:00
Santa Maria da Feira – Europarque - 3 de Novembro | 11:00 e 16:00
Sintra - Centro Cultural Olga Cadaval - 9 de Dezembro | 16:00
Braga - Parque de Exposições - 16 de Dezembro

Os bilhetes encontram-se à venda dos locais do espetáculo, em www.ticketline.pt e nos locais habituais.
Natal em Lisboa 2012

De 7 a 22 de Dezembro de 2012 está ai mais uma edição do Natal em Lisboa 2012, onde durante vários dias poderá assistir a concertos de natal nas diversas igrejas da Capital.

Com entradas livres, durante dezembro aproveite o espírito natalício e venha com a família cantar e assistir a um dos espectáculos musicais, os locais são a Igreja de São Roque, Igreja de Nossa Senhora das Mercês, Basílica da Estrela, Igreja de Santo Agostinho, Igreja da Graça, Cinema de São Jorge e Igreja de São Domingo.
 
Às portas de um novo ano viveremos um momento de trégua, de reflexão, de apaziguamento, de balanço, de esperança. Esse instante, sempre presente na nossa Cultura, ganhou o Mundo e múltiplos sentidos, dando forma e expressão ao que fomos sendo, ao que fomos tendo e ao que esquecemos.

Nestes tempos de mudança, que novos sentidos poderá alcançar esta história simples, inspiradora da criação artística desde há milénios?

O “Natal em Lisboa 2012” é um percurso musical, entre muitos possíveis, dentro dessa busca milenar, que em si transporta o início e o fim de muitos tempos e de muitos mundos. Um caminho que fazemos em conjunto, ouvindo e ouvindo-nos; um encontro entre muitos tempos e muitos espaços que nos provam que, ao estarmos de passagem, permanecemos, como afinal o faz essa remota história que a cada ano nos chega dos confins da Galileia.

7 de Dezembro
21h30 Orquestra de Câmara Portuguesa
Igreja de São Jorge
Entrada livre limitada à lotação de 500 lugares

8 de Dezembro
16h00 Os Músicos do Tejo
Igreja de Nossa Senhora das Mercês
Entrada livre limitada à lotação de 156 lugares

9 de Dezembro
16h00 Coro Sinfónico Lisboa Cantat
Igreja de São Nicolau
Entrada livre limitada à lotação de 350 lugares

14 de Dezembro
21h30 Orquestra Sinfónica Juvenil
Basílica da Estrela
Entrada livre limitada à lotação de 300 lugares

15 de Dezembro
16h00 Os Músicos do Tejo
Igreja de Santo Agostinho
Entrada livre limitada à lotação de 150 lugares

16 de Dezembro
16h00 Coro do Tejo Ensemble Studio Contrapuncti
Igreja da Graça
Entrada livre limitada à lotação de 300 lugares

21 de Dezembro
16h, 16h30 e 22h Escola de Música do Conservatório Nacional
Cinema São Jorge - Sala 1
Entrada livre, mediante levantamento prévio de bilhete, limitada à lotação de 1327 lugares

22 de Dezembro
16h00 Escola Superior de Música de Lisboa
Igreja de São Domingos
Entrada livre limitada à lotação de 580 lugares

No concelho de Portel a doçaria é rica e variada sendo representada pelos tradicionais bolos folhados, as popias ou os biscoitos, com destaque para o bolo podre de Portel onde o mel é ingrediente essencial.


No concelho de Portel a oferta gastronómica é rica e variada. A doçaria está associada às festividades que ocorrem ao longo do ano, como são os fritos (filhoses, pastéis de grão, os borrachos ou bêbados) confeccionados no Natal ou no Carnaval, acompanhados pelo tradicional arroz doce.

O mel está presente no bolo podre ou bolo de mel. Os bolos folhados com ou sem recheio de gila, as popias (bolos à base de farinha, ovos e banha de porco), os biscoitos e os bolos de chá completam um vasto leque de irresistíveis especialidades.

No concelho de Portel a oferta gastronómica é rica e variada. No Inverno, a carne de porco é um componente fundamental das migas, do cozido de grão de bico ou da rechina, são as viceras do porco confeccionadas com sangue, é o prato obrigatório da matança, tal como os enchidos. Porque estamos numa região de caça, não se pode perder a ocasião de degustar os pratos confeccionados à base do veado, corço, javali, coelho, lebre e perdiz.
Ainda hoje se mantêm alguns dos hábitos tradicionais da população como, nos meses de Fevereiro e Março, a apanha das cilarcas, uma variedade de cogumelos obrigatória no calducho e no ensopado de borrego. Também algumas das ervas aromáticas, como o poejo ou a hortelã da ribeira, constituem preciosos condimentos para os pratos preparados à base de peixe do rio.
Os queijos de cabra e de ovelha e o mel constituem outras das grandes riquezas gastronómicas. A doçaria regional é representada pelos afamados bolos folhados com ou sem recheio de chila, pelo bolo de mel, pelas pupias e biscoitos. Os fritos, filhoses, pastéis de grão, borrachos ou bêbados confeccionados no Natal e no Carnaval, acompanhados pelo arroz doce, completam um vasto leque de irresistíveis especialidades.



Um alentejano que se preze tem que ter um churrião.
Só assim conseguirá dar resposta às suas tradicionais responsabilidades.
 
Um aspecto parcial da vasta assistência presente na sessão de lançamento e apresentação
do livro "MEMÓRIAS DO TEMPO DAS OUTRA SENHORA / ESTREMOZ-ALENTEJO".
Fotografia de Luís Mariano Guimarães.
 

Livro editado pela Colibri, da qual o autor tem exemplares à consignação que terá muito gosto em autografar. Pedidos através do endereço: hernanimatos@gmail.com
 
A vida é-nos oferecida
Nós fazemos dela, afinal
O que nos dá na real gana
Corremos atrás de um ideal
Que o coração inventa
Ora em marcha pachorrenta,
Ora numa louca gincana
Ou em devaneios perdida,
E assim se vive uma vida…


“Os bêbados” (1922). Miniatura em cerâmica de Francisco Elias (1869-1937), Museu da Cerâmica, Caldas da Rainha. Reprodução de “Os bêbados” (1907), óleo sobre tela de José Malhoa (1855-1933), Museu José Malhoa, Caldas da Rainha.
Feira do Montado » 29 Novembro a 02 de Dezembro em Portel
Cultura

No Casino Estoril ouvem-se poemas de Jorge Amado


Tem lugar, pelas 16:00 de sábado 01 de Dezembro, na Galeria de Arte do Casino Estoril um recital de poesia, onde se encontra patente ao público uma exposição colectiva de pintura e escultura, em que participam 46 artistas e cujo tema é Jorge Amado.
Com este recital pretende-se igualmente homenagear o autor de “Capitães da Areia”, e serão ditos poemas de Fernando Pessoa, Florbela Espanca, José Régico, Jorge Luís Borges, Unamuno, dos brasileiros Manuel Bandeira, Myriam Fraga, directora da Casa Museu de Amado na Bahia.
Os poemas, alguns também de Jorge Amado, serão ditos por Juliano Louceiro, Canto e Castro, Sá Flores, Coronel Roberto Durão, Emília Durães, Io Apolloni, Adelaide Freitas, Romana Preto Paulo e um anónimo.
Cultura

Gala da Abraço no São Luiz

Vinte anos passados a “Gala Abraço” vai realizar-se, mais uma vez, no Teatro Municipal de São Luiz uma das manifestações culturais e de intervenção social

Criada com a intenção de alertar para o grave problema do Vih/Sida, esta Gala tem tentado angariar fundos que ajudem as instituições ligadas ao problema.


Um problema que, segundo os últimos dados estatísticos, tem tendência para aumentar, pelo que organizações como a “Abraço” continuam a ser necessárias.

A Gala será apresentada por Sílvia Alberto e Pedro Granger.
A animação musical está a cargo Chullage, Jorge Fernando, Fábia Rebordão, Dino d’Santiago e Virgul; Gisela João, Rita Redshoes, Marta Hugon, Mária Laginha (com desenho digital em tempo real de António Jorge Gonçalves)
Nuno Markl e Miguel Araújo Jorge animarão o público. Cartas de Amor escritas por Maria Caleiro, Ricardo Adolfo, Rui Zink, Ana Zanatti, Isabel Zambujal, Mega Ferreita, Maria Manuel, Filipa Leal, Ana Bacalhau, Richard Zimler, Lídia Jorge, Patrícia Reis serão lidas por Simone de Oliveira, Ana Zanatti, Albano Jerónimo, José Fidalgo, Joana Solnado, Lia Gama.
Lembrando ainda o que foi a Gala dos Travestis, Deborah Kristall, Samantha Rox, Jenny Larrue, Nyma Charlles, Norma Swan, Vitor Hugo, Guida Scarllaty, Nicole Vartin, Petra Soraia, Emma Strass, Grace Panter, Sónia Lacroix contribuirão com as suas actuações.



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Lucernas


Para combater a escuridão dos caminhos ou dos lugares públicos e nas cerimónias religiosas, usavam os romanos archotes embebidos de substâncias inflamáveis. Dentro de casa, a iluminação fazia-se com velas (candelae), de cera de abelha ou sebo, e lamparinas de azeite (lucernae); usavam-se umas e outras isoladamente ou formando conjuntos de várias unidades em candelabros e levavam-se á rua dentro de lanternas.

As lucernas eram fabricadas por meio de moldes em oficinas especializadas, a maior parte das que se utilizaram em Conimbriga, veio, até meados do século I d. C., da Itália, e a partir de então, do norte de África onde existiam grandes oficinas reproduzindo em larga escala os modelos itálicos.

Julga-se que os pequenos instrumentos metálicos de ponta revirada, tão frequentes em qualquer província romana, terão servido para espevitar ou extinguir a chama.
« PARABÉNS , Livraria Académica ...

clica no título para te deliciares com o mundo da Livraria Académica

 
Portugal associa-se hoje ao Dia das Livrarias

Cerca de uma dezena de livrarias portuguesas associa-se esta sexta-feira ao Dia das Livrarias, um evento organizado em Espanha, que se estende a Portugal por iniciativa da Fundação José Saramago e do movimento Encontro Livreiro.
                   
Portugal associa-se hoje ao Dia das Livrarias

De acordo com a fundação, a ideia espanhola é transposta para Portugal para incentivar as livrarias portuguesas, sobretudo as independentes e as mais pequenas - de dimensão - a terem mais visitantes, "contrariando a tão real crise que leva tantos a temer o fecho iminente desses espaços de cultura".
O movimento Encontro Livreiro dá conta, na página oficial na Internet, de pelo menos uma dezena de livrarias a associarem-se ao evento, entre as quais a Fonte das Letras, de Montemor-o-Novo, a Pó dos Livros, GATAfunho e Assírio & Alvim, de Lisboa, a Traga-Mundos, de Vila Real, e a centenária Livraria Esperança, do Funchal.
Em Portugal, o Dia das Livrarias acontece na data em que morreram os escritores Fernando Pessoa (30 de Novembro de 1935) e Fernando Assis Pacheco (30 de Novembro de 1995).
Em Espanha, é a segunda vez que a Associação de Livrarias e o Colégio de Escritores organizam o Dia das Livrarias, para dar a conhecer "o prazer pela leitura e pelos livros", e para os livreiros mostrarem aos visitantes "os livros que precisam e também os que eles desconhecem que precisam".
                              
A ideia é recordar "a função social e cultural" de uma livraria na sociedade, lê-se no manifesto espanhol.
A lista das livrarias portuguesas associadas à iniciativa pode ser consultada em http://encontrolivreiro.blogspot.pt/ e em www.fundacaosaramago.org.
O Encontro Livreiro é um movimento de livreiros e pessoas ligadas ao mundo do livro que reflectem, com regularidade, sobre o livro, as livrarias e a promoção da leitura.
Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro


Mário de Sá Carneiro

Às Vezes o Amor - Sérgio Godinho


Amor
Aqueles olhos aproximam-se e passam.
Perplexos, cheios de funda luz,
doces e acerados, dominam-me.
Quem os diria tão ousados?
Tão humildes e tão imperiosos,
tão obstinados!

Como estão próximos os nossos ombros!
Defrontam-se e furtam-se,
negam toda a sua coragem.
De vez em quando,
esta minha mão,
que é uma espada e não defende nada,
move-se na órbita daqueles olhos,
fere-lhes a rota curta,
Poderosa e plácida.

Amor, tão chão de Amor,
que sensível és...
Sensível e violento, apaixonado.
Tão carregado de desejos!

Acalmas e redobras
e de ti renasces a toda a hora.
Cordeiro que se encabrita e enfurece
e logo recai na branda impotência.

Canseira eterna!
Ou desespero, ou medo.
Fuga doida à posse, à dádiva.
Tanto bater de asas frementes,
tanto grito e pena perdida...
E as tréguas, amor cobarde?
Cada vez mais longe,
mais longe e apetecidas.
Ó amor, amor,
que faremos nós de ti
e tu de nós?


Irene Lisboa
FRAGMENTOS DE UM EVANGELHO APÓCRIFO( trechos )



27. Não falo de vinganças nem de perdões; o esquecimento é a única vingança e o único perdão.

30. Não acumules ouro na terra, porque o ouro é pai do ócio, e este, da tristeza e do tédio.

33. Dá o santo aos cães, atira tuas pérolas aos porcos; o que importa é dar.

41. Nada se edifica sobre a pedra, tudo sobre a areia, mas nosso dever é edificar como se fosse pedra a areia...


Jorge Luís Borges

 



Dante Gabriel Rossetti, Venus Verticordia

Amor


Amor, amor, amor, como não amam
os que de amor o amor de amar não sabem,
como não amam se de amor não pensam
os que de amar o amor de amar não gozam.
Amor, amor, nenhum amor, nenhum
em vez do sempre amar que o gesto prende
o olhar ao corpo que perpassa amante
e não será de amor se outro não for
que novamente passe como amor que é novo.
Não se ama o que se tem nem se deseja
o que não temos nesse amor que amamos,
mas só amamos quando amamos o acto
em que de amor o amor de amar se cumpre.
Amor, amor, nem antes, nem depois,
amor que não possui, amor que não se dá,
amor que dura apenas sem palavras tudo
o que no sexo é sexo só por si amado.
Amor de amor de amar de amor tranquilamente
o oleoso repetir das carnes que se roçam
até ao instante em que paradas tremem
de ansioso terminar o amor que recomeça.
Amor, amor, amor, como não amam
os que de amar o amor de amar o amor não amam.




Jorge de Sena
Não posso adiar o amor
Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração




António Ramos Rosa

 


Francisco Goya, Fuzilamentos do três de Maio

Morte de D. Quixote

III

Pobres, gritai comigo:

Abaixo o D. Quixote
com cabeça de nuvens
e espada de papelão!
(E viva o Chicote
no silêncio da nossa Mão!)

Pobres, gritai comigo:

Abaixo o D. Quixote
que só nos emperra
de neblina!
(E viva o Archote
que incendeia a terra,
mas ilumina!)

Pobres, gritai comigo:

Abaixo o cavaleiro
de lança de soluços
e bola de sabão
no elmo de barbeiro!
(E vivam os nossos Pulsos
que, num repelão,
hão-de rasgar o nevoeiro!)




José Gomes Ferreira

 


Antonio Canova, Eros e Psiche
A boca


A boca,
onde o fogo
de um verão
muito antigo cintila,
a boca espera
(que pode uma boca esperar senão outra boca?)
espera o ardor do vento
para ser ave e cantar.

Levar-te à boca,
beber a água mais funda do teu ser
se a luz é tanta,
como se pode morrer?




Eugénio de Andrade
Data Venia - Revista Jurídica Digital |•
Acaba de ser publicada a Edição 01 da Data Venia - Revista Jurídica Digital, integrada no Portal Verbo Jurídico.

Artigos, estudos e teses doutrinais, de acesso gratuito.


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Rogier Van Der Weyden, Deposição

Um dia alguém numa grande cidade


Um dia alguém numa grande cidade longínqua dirá que morri
di-lo-á decerto com pena mas sem o alívio que eu próprio decerto senti
primeiro ao solucionar de vez esse problema de respiração que a vida é
desde a convulsão da criança que a meio do copo deixou ir leite para a traqueia
até a instantânea atrapalhação do mergulhador a quem de súbito falta o ar comprimido
só dispõe da reserva e lhe faltava tanto que ver no fundo sonhador do mar
depois senti alívio porque às vezes a meio por exemplo da aragem na face
eu pensava na morte como problema metafísico a resolver pelo menos com higiene
se não com dignidade com acerto como mais um problema à medida do homem
Eu estava do lado dos vivos estou do lado dos mortos
o grande problema era saber se me doía ou se não me doía
agora nem sei se me doeu ou não ou fui um mero espectáculo de mau gosto
para a única pessoa encarregada de me ajudar nesse momento
Ninguém a princípio terá sabido que eu morrera só minha
mulher avisada de longe virá e me porá a mão sobre a testa
os demais não não disponho do olhar para me defender
o tempo depressa se passa são trâmites legais até me terem deixado
debaixo do chão bem debaixo do chão sem frases lidas
ou gravadas sem sentimento nenhum
Uns dias depois um pequeno grupo junto a uma grande janela
olhará a neblina da manhã de janeiro
e terá mãos que eu tive para os meus problemas de vivos
Onde eu estive sobre uma mesa com uma perna cruzada
suaves começarão a suceder-se e acumular-se os dias
como cartas revistas linguísticas ou livros adormecidos
despertos apenas no momento fugaz da leitura
A vida será indistinta virá até nós como árvores
rodará em volta como um lençol até cobrir-nos os ombros
Falareis de mim não posso impedir que faleis de mim
mas já nada disso me pesa como o simples facto de ter de ser vosso amigo
Estou só e só para sempre e só desde sempre
mas antes por direito de opção. Agora não
Deixaram-me aqui doutor em tantas e tão grandes tristezas portuguesas
e durmo o sono das coisas convivo com minerais preparo a minha juventude definitiva
Era como eu esperava mas não posso dizer-vos nada
pois tendes ainda o problema e a cara da pessoa viva



Ruy Belo

 


Fernand Khnopff

Eis-me

Eis-me
Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses
Para ficar sozinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face

Mas tu és de todos os ausentes o ausente
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras
E o teu encontro
São planícies e planícies de silêncio

Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco
E eu não habito os jardins do teu silêncio

Porque tu és de todos os ausentes o ausente



Sophia de Mello Breyner Andresen
Edd'ora addio... — Mia soave!...



Aos meus Amigos d'Orpheu


— Mia Soave... — Ave?!... — Almeia?!...
— Mariposa Azual... — Transe!...
Que d'Alado Lidar, Canse...
— Dorta em Paz... — Transpasse Ideia!...

— Do Ocaso pela Epopeia...
Dorto... Stringe... o Corpo Elance...
Vai À Campa... — Il C'or descance...
— Mia soave... — Ave!... — Almeia!...

— Não dói Por Ti Meu Peito...
— Não Choro no Orar Cicio...
— Em Profano... — Edd'ora... Eleito!...

— Balsame — a Campa —  o Rocio
Que Cai sobre o Último Leito!...
— Mi'Soave!... Edd'ora Addio!...

Ângelo de Lima

Poema em Linha Reta - Fernando Pessoa


29 de novembro de 2012

« mais um pobre coitado k vai para o desemprego ...
Concertos
VII Gala Amália no Coliseu dos Recreios


Com actuações de Rodrigo, António Chaínho, António Vitorino de Almeida, Cidália Moreira, Jorge Fernando, Mísia, Fábia Rebordão e José Gonzalez, Micael Gomes, Bernardo Viana, Filipe Raposo, Filipe Larsen terá lugar pelas 21:30 do dia 30 de Novembro, no Coliseu dos Recreios a VII Gala Amália.
Como já vem sendo hábito nesta Gala serão entregues os Prémios Amália que vão distinguir alguns dos que mais contribuiram para a grandeza do Fado, esquecendo-se por vezes outros de grande valor.

José Carlos Malato é mais uma vez o anfitrião da noite, acompanhando os espectadores numa magnífica viagem através do melhor que o Fado nos ofereceu em 2012.
Teatro

Teatro do Mar apresenta “ Tristania ” no Centro de Artes de Sines


“Tristânia”, o trabalho que o Teatro do Mar apresentará a 01 e 02 de Dezembro no Centro de Artes de Sines, baseia-se no filme “Taxandria” de Raoul Servais e no livro de banda desenhada “Memórias do Eterno Presente” de Peeters & Schuiten.
“Tristânia” revela um mundo abalado por um sério cataclismo, provocado pela cegueira do progresso e por excessos cometidos com o desenvolvimento e experiências tecnológicas, o tempo parou. A História é proibida, as imagens também, e todos os livros e máquinas que sobreviveram ao desastre, permanecem encerradas num Museu Interdito.
Na nova sociedade que sobrevive nos escombros do velho mundo, uma Nova Ordem, protagonizada pelos Zeladores do Esquecimento, mantém a ditadura de um Eterno Presente e proíbe toda a Memória.
nota de imprensa)
“ Em Tristânia” os espectadores são convidados a embarcar na perspectiva ficcional do mundo enclausurado na inércia de um Eterno Presente, um tempo onde é proibido lembrar.

Com uma forte componente plástica e performática, apelando diretamente aos sentidos e à viagem emocional, o Teatro do Mar pretende com esta criação estimular a reflexão sobre a condição atual do Homem perante a sua evolução e intervenção no mundo que o rodeia e, simultaneamente, aproveitar o potencial deste espaço da cidade estimulando a sua vivência de uma forma menos habitual.
Cultura

Terceira Edição da Feira do livro de Fotografia


Á semelhança dos anos anteriores irão reunir-se fotógrafos, editores, livreiros e alfarrabistas com o objectivo de divulgar o universo da edição em fotografia de forma a estimular o interesse nesta área, a novos públicos.
Este ano a Feira do Livro de Fotografia conta novamente com o espaço dedicado aos livros de autor, espaço esse que tenta reforçar a relação entre autores e projectos editoriais. Além de permitir o contacto com as obras, pretende provocar no público a vontade de concretizar os seus próprios projectos de edição na esperança de ser uma “rampa” à realização de futuras obras de referência no mundo da edição fotográfica.
Em simultâneo á feira, irão decorrer algumas apresentações de livros bem como irão debater-se assuntos que abordam questões variadas, entre eles, o lugar da curadoria na fotografia ou a construção e o desenvolvimento de projectos artísticos no contexto actual, entre outros.
A fábrica do Braço de Prata além de receber a feira proporciona também a visualização de seis exposições de fotografia inseridas na iniciativa “Mês da Fotografia”.
Será uma oportunidade de adquirir livros de autor raros e valiosos bem como de encontrar uma oferta variada de livros acessíveis a todo o tipo de bolsas. Alguns editores irão praticar descontos até 20%.
Livros

Paulo Camacho escreve " Debaixo de Fogo "


Neste seu livro, com chancela da Oficina do Livro, Paulo Camacho conta 12 histórias ocorridas nos seus 28 anos de jornalismo, dando vida às suas reportagens sobre conflitos armados, guerras, invasões e o que de pior se passa no mundo.

Quando ao serviço da BBC, Expresso e SIC, Paulo Camacho fez a cobertura de uma grande parte dos conflitos que se desenrolaram no mundo na década de 80.
Esteve em Bagdad no início das duas guerras do Golfo, várias vezes na guerra civil angolana, na guerra civil de Moçambique, no caos da Somália, nos confrontos da África do Sul depois da queda do apartheid, na guerra do Congo/Zaire quando o ditador Mobutu foi afastado, nos ataques israelitas ao Líbano ou na queda dos regimes do Bloco de Leste, como na Roménia e Checoslováquia.
Em "Debaixo de Fogo", Paulo Camacho partilha memórias e emoções desses tempos, e ainda a forma como se tentou defender emocionalmente de situações extremas como por exemplo ver crianças morrerem.

Paulo Camacho, em 1959, no Funchal. Quando tinha 20 anos deixou o Direito e resolveu começar a trabahar em jornais.

Passou pela A Capital, Tempo, A Tarde, Rádio Comercial e RTP, foi contratado pela BBC.

Durante os cinco anos que viveu em Londres, foi correspondente da Agência ANOP, da Rádio Renascença e do Expresso, em cujos quadros entrou no regresso a Portugal.

Foi co-fundador da SIC, onde permaneceu até 2007, tendo exercido funções de coordenador de informação, editor de internacional e apresentador de telejornais. É actualmente director de comunicação da ZON.
“Debaixo de Fogo” é o seu primeiro livro. Será apresentado pelas 18:30 deste 29 de Novembro, por pinto Balsemão na Livraria Leya/Buchholz.