19 de fevereiro de 2013

Barbeiro de Tarouca oferece vinho a quem cortar o cabelo


Numa barbearia de Dalvares, no concelho de Tarouca, quem cortar o cabelo pode, de seguida, refrescar a garganta gratuitamente na adega da porta ao lado, com a garantia de que nas cubas haverá vinho para todos os gostos.
Barbeiro de Tarouca oferece vinho a quem cortar o cabelo
             
Vinho tinto, rosé e branco enchem as cubas da adega de Manuel da Costa, por onde os clientes são convidados a passar antes de irem para casa.
"Não quero que lhes falte nada", explica, com um ar brincalhão, Manuel da Costa, mais conhecido por 'Toca o Pau', uma alcunha herdada de um avô que foi carroceiro de mulas no Brasil.
A tradição de "ir à pinga" depois do corte de cabelo já é conhecida na zona, mas Manuel da Costa não quer que fiquem dúvidas.
"Amigos e clientes, amigos do coração, nesta Barbearia Costa, de comer, nem pão vos dou, beber, tinto ou branco, o que quiserem, sem pagarem um tostão", pode ler-se num quadro que tem exposto na barbearia, com a chave da adega ao lado.
Mas, quem quiser provar o vinho de Manuel da Costa, não precisa de dar a desculpa de que tem o cabelo comprido.
"Muitas vezes tenho amigos que vêm aqui, pegam na chave e dizem: 'ó Toca o Pau, vou ali beber um copo'. E eu fico contente na mesma", contou o barbeiro, que diz conhecer 99% dos seus clientes.
Quem entra na Nova Barbearia Costa - onde a modernidade conseguida pela remodelação feita em 2010 se alia à história dos equipamentos antigos que tem desde que aprendeu a arte, em 1964 - percebe que agradar aos clientes é a principal preocupação do 'Toca o Pau'.
É por isso que faz questão de oferecer os cortes de cabelo em datas especiais, como a primeira comunhão, o alistar na tropa, o casamento e os aniversários de 25 e 50 anos de matrimónio.
E é também por esse motivo que tem penteadores azuis, vermelhos e verdes, que são usados de acordo com o gosto clubístico de cada cliente.
Se, apesar de todas as atenções e cuidados, o cliente não gostar do serviço, pode reclamar.
"Dou três semanas de garantia a quem é de fora e quinze dias a quem é da terra", explicou, com uma gargalhada, assumindo-se como um grande brincalhão, que mete "algumas petas" aos amigos, mas "sempre de grande qualidade".
Ainda esta semana, a mãe de um pequeno cliente accionou a garantia, porque os familiares não gostaram do corte que o 'Toca o Pau' tinha feito ao menino.
"Mas há uns doze anos aconteceu-me uma que não foi apenas uma questão de gosto. Estava a cortar o cabelo a um senhor a pente dois, saltou o pente da máquina e, quando dei conta, estava a fazer-lhe uma auto-estrada na cabeça", contou, com ar de quem está habituado a repetir frequentemente este episódio.
O seu cliente e amigo Aníbal Costa ouve há muitos anos, mas sempre com o mesmo gosto, as histórias que Manuel da Costa conta dos anos em que foi barbeiro e maqueiro em Bambadinca, na Guiné-Bissau, e depois motorista de autocarros, profissão que deixou em finais de 2009.
"Este homem está sempre na paródia, sempre bem-disposto. Conta muitas histórias e, de vez em quando, também enfia umas petas", afirmou.
Manuel da Costa é também conhecido pelo seu Hillman verde, que tem desde 1971 e com o qual gosta de se deslocar a casa de pessoas doentes e acamadas para lhes cortar o cabelo.
      

"Normalmente faço isso ao domingo. Vou ver os doentes e corto-lhes o cabelo", contou.
Considera a actividade de barbeiro um part-time, porque não está sempre no estabelecimento, passando parte do seu dia na agricultura.
"Mas quando aqui chega alguém e toca a campainha na barbearia, ouve-se na minha casa. E se eu não estiver cá, a minha mulher dá-me um toque para o telemóvel e eu já sei. É hora de vir, porque tenho alguém à minha espera", contou.

Nenhum comentário:

Postar um comentário