7 de fevereiro de 2013

Cultura

Artes visuais na Fábrica Braço de Prata



A Fábrica Braço de Prata dedica o mês de Fevereiro à Metafísica. Pretende-se abordar ao longo do mês questões como “o que é existir?”, “Qual a realidade de uma coisa em potência”, “O que é o ritmo?” ou “Como é o eterno?” e neste sentido, foram convidados artistas para em conjunto construírem novas ideias e visões.
Numa tourneé por entre as cinco exposições, Andrea Inocêncio apresentou uma exposição de fotografias “Hair in the Air”, composta por uma serie de imagens, na praia demonstrando uma inquietude, leveza e muita liberdade.
Este projecto além das fotografias, contou ainda com o lançamento do livro “Eu, a Fotografia e a Performance” com a apresentação de Susana Mendes Silva que em conversa informal com Andrea Inocêncio expôs a reflexão de alguém que exerce, contextualizando o seu trabalho.
Em palavras próprias e do público o livro acaba por ser com rebento da exposição, um complemento onde está de forma testemunhal e muito intimista a essência do seu trabalho. “É um momento”, afirma “Este projecto surgiu enquanto escrevia o livro “Eu, a Fotografia e a Performance”, o 3º livro da colecção REFLEX, a convite do The Portfolio Project”, conclui.
Numa única micro-edição de apenas 50 exemplares, é uma leitura confortável devido à honestidade da escrita.
A sua prática artística passa pela fotografia, perfomance, instalação, desenho, produção e teatro e o contexto da sua obra abraça conteúdos de compromisso social e politico através de da critica e ironia, à volta de conceitos como as fronteiras culturais, dificuldades e géneros, questiona a figura da mulher artista, heroína, migrante, sobrevivente no meio hostil.
Na exposição de Ana Gago, assiste-se a um conceito de mistura de “Texturas”, nome da exposição, painéis com embutidos em inox, pedra e tela.
Um projecto, que há um ano era um projecto a dois, com Luís Coelho Pereira, idealizado em conjunto painéis de tela e painéis de lã.
Entre as linhas tecidas e os traços desenhados as obras expostas emitem uma particularidade e densidade inigualável, tornando estes objectos únicos.
Além de um projecto muito rico e evidentemente apreciado pelos visitantes, “Texturas” apresenta uma carga emotiva muito forte, Luís Coelho Pereira faleceu em Fevereiro de 2012.
Esta exposição, mais do que uma homenagem ao meu pai, é o seu último trabalho.Para além da vida, fica a sua obra que eu muito admiro”. Palavras de Ana Gago.
“A Morte da Princesa”, de Zana é uma exposição de pintura e ilustração, caracterizada por rituais de passagem e um estudo intenso da morte de uma forma muito profunda e introspectiva, não caracterizada como uma perda, um fim mas como algo de novo, uma metamorfose, uma outra vida.
Zana, que é também Susana Campos Moraes, desenvolveu uma paixão pelas artes, dança, terapia, artes plásticas e é evidente a sua ligação à natureza, a sua infância em África e as suas “ viagens pelo o mundo de mochila ás costas” .
Os ritos de passagem, marcam a mudança de um indivíduo, algo que com a a sua vivência,também deixou retratado em “A Morte da Princesa”, como demonstra o poema:
“O nascer, crescer e florescer.
O maturar, amadurecer e envelhecer.
A morte de uma Princesa, o nascimento de uma Rainha.”
Luís Pais Figueiredo, apresentou um trabalho muito próprio e peculiar com a “Familia de Pedrinhas”, numa exposição dedicada à fotografia e instalação.
Retrata a história de uma comunidade personificada em pedrinhas, dando lugar a envolvimentos com propósitos espirituais e uma relação profunda de amor, cumplicidade, desacordo, confusão e de perda de valores e propósitos.
Tem como inicio um comunicado do chefe da familía das pedrinhas para a divulgação de descobertas importantes sobre a paz entre eles e todos os povos.
É construída uma rota e criados pontos de privilégios onde acaba por surgir o enclausuramento da pedrinha especial.
A consternação da Pedrinha mãe, e por fim o erguer da causa de forma democrática para a família das pedrinhas. Concluíndo a pedrinha branca : “Até ver!”
Miguel Pinto Faria diz que “A fotografia é a prova, o testemunho e a partilha que procura a identificação. Luís da Cunha Pais conecta-se com a sua própria essência que dilui no quotidiano do ser humano.”
Finalizando este quinteto, E404 e convidados, apresentara, “Negatividade” uma exposição muito marcante de multilínguagens expressando a visão do negativismo sobre a vida.
Através de filmes, pinturas, cores e esculturas, são várias e distintas as formas de expressão com uma abordagem semelhante para mostrar o negativo.
Uma experiência estética de abordagem comum onde se estabelece uma sinergia que dá resultado a um produto que talvez revele o oposto do que realmente é.
Para todos os gostos e vários momentos, na Fábrica Braço de Prata, quarta – feira e quinta- feira das 20:00 às 02:00 e sexta-feira e sábado 20:00 às 04:00

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