6 de fevereiro de 2013

Teatro

Pedro Lacerda apresenta “ Lenz ”



De narrador a personagem, com algum cariz religioso pelo meio, o actor apresenta-nos uma viagem de sofrimento, uma personagem perdida no caos do
mundo e revoltada, o combate à esquizofrenia e uma crítica à sociedade.
A peça inicia-se com o actor Pedro Lacerda a cantar uma música, que segundo o próprio “ é um tema relacionado com a igreja, hino de Martinho Lutero, que faz parte do hinário protestante normal”, surgindo por sugestão de amigos e familiares, tema esse que “questiona a relação com Deus de uma forma chocática, relacionando-se com a personagem de Lenz e a sua revolta contra Deus, porque perdeu alguém e acha injusto”.
Lenz chega a nós como uma personagem solitária, revoltada e que vive entre a depressão profunda e uma euforia imensa, tanto se assusta com a escuridão e solidão, se revolta com o mundo e com Deus, procurando várias vezes o suícidio, como se entusiasma, se apaixona, e descreve as paisagens que o rodeiam, o céu, a montanha, as nuvens, de forma um pouco eloquente, chegando ao estado de indiferença total em relação ao mundo.

Esta é uma viagem de solidão, o caminho de um homem, de um artista, como era Lenz, para a loucura.
Quando questionado sobre o que lhe interessou neste texto, o actor refere que “como actor se sente muito próximo da personagem, uma pessoa simples, apesar de não ser esquizofrénico”, afirmando que lhe interessa conhecer mais a personagem de Lenz, que apesar de esquizofrénico, se apresentava como um génio, alguém que tinha hipóses de ter uma carreira brilhante e vê assim gorado esse futuro.
Na peça o actor adapta o texto original, Lenz, faz uma menção de um sermão, onde faz uma critica à sociedade de hoje, dando-nos a conhecer um Jesus Cristo aventureiro e revoltado com o que vê nos dias de hoje, alguém que não se revê nos ajuntamentos, alguém que pretende mudar a ordem do mundo, um revoltado, um agitador, um provocador.
Segundo o actor, esta critica deve-se ao periodo de crise profunda que vivemos, onde as pessoas, cada vez mais se questionam e cada vez mais procuram respostas.
Uma peça que promete inspirar quem a ela assista, onde está presente uma ligação forte do actor com a igreja, uma representação de excelente qualidade.

Nenhum comentário:

Postar um comentário